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Num papel antigo
encontro perdido
o meu pedaço.
Tantos riscos, passos e traços.
Tantas falas, berros, remendos.
Que fica guardado aquele pedaço pequeno
onde sou um eu e não peça de açougue.
e redescubro em mim algo mais
que verdades desconexas.
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love is a H letter word
Há quanto tempo não encaro o papel.
Não o olho de perto e conto a verdade.
Que ando nas ruas revirando tormentos
e desviando olhares – de raiva. e ternura.
Há quanto tempo não abro a boca
e com a voz rouca assumo fragilidade.
Tanto tempo inteiro.
Partido completo
sem qualquer tipo de cura.
E quando meu braço adormece e meu coração dói
sei que estou perto de algo longe do infarto.
Meus dentes rangem e minhas mãos gelam
E encontro um vestígio do podre lá de dentro.
E nessa hora, num papel quente-frio,
relembro a sua face
e desejo a sua morte.
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blue.
Desatou o nó no ponto mais fraco.
Foi embora nossa cria,
nosso nós, nosso encanto.
Caiu morto. Úmido e ressecado
- sozinho e abandonado -
sem olhar de incômodo.
Mas dói em mim essas perdas de nós duas
Pois só eu sei o valor de cada passo.
A sua ausência é visível no meu campo.
Minha tristeza é fruto do acaso.
O vazio dói
(o espaço livre).
As lacunas de ausência resistem neste quadro lotado.
Fecho os olhos. Dois minutos.
Os reabro e redescubro
- num morto -
a minha essência.
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sobre o asfalto e a nuvem
Encaro, então, as cinzas do meu coração burocrático.
Sinto áspero seu pequeno corpo nos meus lábios e
úmidas as minhas bochechas que te adoram.
Perco o passo e
com o tempo
o sentido.
Enquanto um preto líquido
redesenha nosso afeto.
Se eu pudesse, te diria neste instante
“vai em frente que o oceano te espera”
Mas não posso
(em consequência do descaso)
E por conta do nosso caso
descubro
que meu coração não é de pedra.
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